segunda-feira, 13 de setembro de 2010

POLÍCIA PARA QUEM PRECISA...












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Curioso, é como se pode definir o caso veiculado nos anúncios dos jornais envolvendo o Membro do Ministério Público - Zanony Passos e Policiais Militares. Muito oportuno o fato, principalmente por estarmos em ano político e por levantar a questão de que tipo de justiça segurança a sociedade precisa.
Recentemente olhando o site da Polícia de São Paulo, descontentes com a forma como são tratados, encontrei um desabafo interessante, o qual transcrevo nas linhas abaixo:

SE...
SE O MANDADO DE PRISÃO DEMORA SAIR, A CULPA É DA POLÍCIA;
SE O BANDIDO DESAPARECE, A CULPA É DA POLÍCIA;
SE O BANDIDO É MORTO DURANTE TIROTEIO, A POLÍCIA É CULPADA. ‘COITADO DO CRIMINOSO!’.
SE SOBREVIVER, A POLÍCIA É INOPERANTE, POIS ‘DEVERIA TER ACABADO COM ELE’.
SE A POLÍCIA AGE COM RIGOR PARA MANTER A ORDEM, É TRUCULENTA;
SE NÃO AGE COM RIGOR, “É MUITO MOLE, INEFICIENTE”.
SE A POLÍCIA ESTAVA PRESENTE NA HORA DO FATO, “É CÚMPLICE”.
SE NÃO ESTAVA, “É OMISSA”.
SE REVISTA UM SUSPEITO, DESRESPEITA O DIREITO DO CIDADÃO;
SE NÃO REVISTA, ‘FAZ VISTA GROSSA’.
SE PRENDE POBRE, “É INJUSTA”;
SE PRENDE RICO, ‘É PORQUE QUER APARECER’.
SE PRENDE UM LADRÃO, TEM QUE APRESENTAR PROVAS;
SE O CRIMINOSO ACUSA O POLICIAL DE TORTURA, EXTORSÃO OU ROUBO, ELE É PRESO E EXPULSO, MESMO SEM PROVAS...

Mas, voltando ao caso. Se o baderneiro não fosse um Promotor, que tem como missão precípua representar o Estado em defesa da sociedade (detalhe, pago com nosso dinheiro) – e fosse apenas um cidadão comum? Se a Polícia não o tivesse detido, ora o indivíduo não se identificou, só mandou os outros clientes “calarem a boca, jogou água no forno da churrascaria, desacatou dos policiais militares ao Delegado Plantonista” e sabe-se lá o quê mais. Se ele tivesse dito que era Membro do Ministério Público, teria “carta branca” para promover tal baderna? Se a polícia não tivesse agido com rigor, seria como? Tipo: “Seu promotor, o senhor pode se acalmar, por gentileza, se o senhor quiser pode quebrar mais alguns copos ou pode jogar um balde d´água na gente, depois nós escoltamos o senhor até sua casa, tá bom assim?”.
Ora, o cidadão promove o maior quebra-quebra em um ambiente público e familiar, a Polícia chega, é desacatada, prende, e a Polícia é que é truculenta? (santa paciência!). E ainda serão acusados (agora no sentido jurídico da palavra) de “terem batido a carteira daquela Autoridade”. Que país é esse? O mais curioso é que o Promotor tem uma conduta polêmica, com o nome citado em artigos de jornais por envolvimento em casos intrigantes (vide site Blog do Décio).

O questionamento é para a sociedade. Que tipo de Polícia queremos ter? Uma Polícia Republicana que age dentro dos princípios da lei (que a bem da verdade estamos longe de alcançar) ou uma polícia para servir a uma minoria elitizada. Não gosto, mas a comparação é inevitável: não muito longe daqui e também não há muito tempo um certo promotor de nome THALES revestido de toda sua autoridade sacou de uma pistola e por motivo ignóbil tirou a vida de um inocente. Mesmo com todo o clamor público, o promotor conseguiu absolvição e voltou a trabalhar normalmente. Enquanto isso nos países do primeiro mundo, onde, há de se anotar, a Justiça funciona, o filho do renomado ator Michael Douglas, detentor de uma fortuna, foi flagrado com uma pequena quantidade de drogas, foi detido, autuado e cumpre pena em presídio.

O fim dessa história é previsível, policiais presos disciplinarmente, responderão por abuso de autoridade, por furto qualificado e se o juiz for rigoroso ainda dá formação de quadrilha, mas e o promotor? Ah, vai voltar a exercer seu ofício normalmente ou talvez consiga aposentadoria compulsória, tudo bem, não será o primeiro. Ôh Brasilzinho baum!

Francisco Jailson de Andrade/Bacabal-MA
Escrivão de Polícia


Fonte: SINPOL-MA.

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