quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Inteligência vai além do que é feito pela policia


Que conceito de inteligência deve ser usado no combate à criminalidade?

O conceito de inteligência deve ser mais amplo do que é feito atualmente pela polícia. É necessário incorporar a análise criminal. É preciso trabalhar com padrões, tendências, regularidades e, através disto, agir com inteligência no combate à criminalidade. OS PADRÕES

SÃO DADOS RELEVANTES, que exigem analistas de dados, estatísticas e softwares para compreendermos o crime. É uma compreensão de por que ocorrem os fenômenos. Para isso, é necessário trabalhar com profissionais diferentes, multidisciplinares. Daí a necessidade de criação de centros de inteligência, Isto, complementado com a investigação policial e atividades de prevenção. A idéia é entender, controlar e prevenir. As pessoas acham que inteligência é a escuta telefônica, não é só isto. É preciso, por exemplo, o mapeamento da atuação de gangues, a identificação das tendências locais e o modo como as gangues são estruturadas. Mapeando a criminalidade local, eles mostram padrões gerais e tendências locais. Agora, só podemos dizer coisas gerais da dinâmica criminal local, não quer dizer que possamos dar nomes. A intervenção estratégica é importante para acalmar o lugar, se não se exerce a prevenção, outros projetos ficam reféns nas comunidades.

Há lideranças e projetos que ficam nas mãos do tráfico podendo essas lideranças ser políticas, sociais e ate policias, Identificamos problemas característicos de cada lugar. Senão, você usa a mesma fórmula de combate ao crime para lugares diferentes. Em certas localidades, por exemplo, o problema de saúde pública é muito maior que o de segurança, por causa dos usuários de crack.

Temos que compreender os fatores envolvidos, que não são policiais, mas sim sociais. Outro ponto na comunidade é a substituição de renda. Lá ainda lucra-se com o tráfico. É preciso conectar dados que estão em instâncias diferentes. De posse destes dados veremos, há tipos de intervenções diferentes para os diferentes dados: policial, social ou combinadas. Além da intervenção, é preciso monitorar o que se faz. Não adianta fazer um belo projeto, se os homicídios não caem, se o trafico tem dominado. O projeto tem de ser refeito e repensado o tempo todo. Crime não é renda somente.

Pergunte aos jovens quanto eles ganham no tráfico. Você vai ver que a maioria ganha em torno de R$ 400. Nós descobrimos que o maior problema nestas áreas é que o jovem é ocioso. Chegamos às comunidades e vemos um monte de garotos sem fazer nada. A ociosidade é um problema maior que a baixa renda. Trabalhando, o jovem ganharia até mais. Devemos trabalha na ociosidade destes jovens. Estes meninos estão na faixa dos 14 anos. Neste sentido, a qualificação dos jovens é mais importante. Mas isto tem de ser combinado com incentivo de locais onde eles possam trabalhar. Isso ainda e uma barreira que não se conseguiu ultrapassar. É um passo que tem que ser dado pelos programas sócias.

O Estado tem de trabalhar em diversas áreas. Qualificação de jovens, empregabilidade. Não só para conter a criminalidade. As políticas têm de ser focalizadas. O bolsa família, por exemplo, é 20 vezes menos eficaz do que o programa Fica Vivo!,Realizado no Estado de minas gerais para a prevenção de crimes. Aquele é um programa universalizante, e o Fica Vivo! É focalizado. O bolsa família é bom pra tirar pessoas da linha de pobreza, não para combater crimes. Há uma especificidade nos programas de prevenção.

Há intervenção estratégica, não são somente programas sociais. Como vimos à inteligência é de suma importância para o combate a criminalidade, porém tem que se da de forma mais ampla e com parcerias produzindo dados tanto para operações policias como projetos sociais que permitam combater o crime a curtos e longo prazo, “O conceito de inteligência deve ir mais além do que é feito na polícia”, a inteligência auxilia no monitoramento e avaliação dos projetos e nos mostrando a necessidade de “serem refeitos e repensados ao longo do tempo”, para que tenham sucesso e sejam adequados à realidade, podemos ter uma visão ampla de como se tratar a criminalidade.

Ao mesmo tempo, vimos que não podemos despreza as peculiaridades dos dados que recolhe e ressalta a importância de estratégias diferentes para tratar da dinâmica criminal em cada localidade. “Não se pode usar a mesma fórmula para lugares diferentes”, temos que buscar alternativas para cada localidade, se não vejamos não podemos usar as mesmas estratégias de policiamento na vila do rato e bairro do aeroporto, nem os mesmos projetos socias, já que cada área tem suas peculiaridades, uma sofre mais com pequenos furtos outra com o domínio do trafico.

por: Major QOPM MARQUES NETO - SUB CMT DO 7º BPM

Um comentário:

  1. Ótimo texto. Deixa bem claro o que vem a ser a Inteligência Policial, e como diz o título do blog: "NÃO HÁ POLÍCIA SEM INTELIGÊNCIA".

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